Copa do Mundo deve gerar recorde histórico de US$35 bilhões em apostas
O torneio expandido, com 48 seleções disputando partidas entre 11 de junho e 19 de julho em 16 cidades-sede no Canadá, México e Estados Unidos, cria um número de oportunidades de apostas muito superior ao de edições anteriores. Mesmo com os esforços da FIFA em retirar quaisquer menções de marcas esportivas dos estádios participantes da competição.
Pesquisas apontam que 19% dos apostadores serão amadores em apostas em futebol, representando uma janela expressiva de aquisição de novos clientes para os operadores. Nos 39 estados norte-americanos com apostas esportivas legalizadas, 62% dos entrevistados pretendem apostar no torneio e 29% afirmam que seria sua primeira aposta da vida.
Grandes operadores já anteciparam seus investimentos em marketing para capturar esse fluxo. A Entain estima que o torneio equivale a cerca de 1% do impacto anual em seus resultados e deslocou verbas publicitárias para os meses anteriores ao evento, reconhecendo que boa parte da aquisição acontece antes do apito inicial. A Betsson, por sua vez, classifica a Copa de 2026 como a maior da história e reforçou sua presença em mercados regulamentados, incluindo o patrocínio ao Boca Juniors até 2028.
Brasil no centro do crescimento: Pix, novos apostadores e regulação em transformação
O mercado regulado brasileiro, lançado em 1º de janeiro de 2025, gerou R$32,2 bilhões em receita bruta de jogo em 2025 e chegou ao torneio como o quinto maior mercado de apostas do mundo. Durante a Copa, 20% dos fãs brasileiros planejam realizar sua primeira aposta online e 48% pretendem usar o Pix como método de pagamento, sistema que já domina as transações do setor no país.
O ambiente regulatório, porém, está em transformação acelerada. Plataformas autorizadas no Brasil só podem aceitar Pix e débito, cartões de crédito e criptomoedas estão proibidos. O governo também aprovou restrições severas à publicidade, com proibição de influenciadores e atletas em anúncios de apostas.
Dois projetos de lei em tramitação vão além: o PL-1808/2026 propõe banir apostas online por completo, enquanto o PL 1018/2026 mira cashback, programas VIP e recursos de gamificação.
Mercado ilegal, integridade esportiva e a corrida dos grandes operadores
O crescimento do mercado regulado convive com um desafio estrutural persistente: operadores ilegais respondem por 41% a 51% de toda a atividade de apostas no Brasil, e 72% dos brasileiros não conseguem distinguir plataformas licenciadas das clandestinas.
A UNODC alertou que os mercados ilegais globais podem superar os regulados durante o torneio, enquanto a IBIA registrou 300 alertas de apostas suspeitas em 2025, alta de 29% em relação ao ano anterior. Para enfrentar o problema, reguladores brasileiros e a ANJL lançaram um laboratório cibernético conjunto, e mais de 12.000 sites não licenciados já foram removidos desde o início da regulação.