Estádios perdem nomes corporativos e marcas de apostas
Dez dos 11 estádios que receberão os 104 jogos do torneio terão seus nomes corporativos substituídos por denominações geográficas. O caso mais emblemático é o Hard Rock Stadium, em Miami Gardens, que passará a se chamar Miami Stadium. O AT&T Stadium, em Arlington, Texas, será conhecido como Dallas Stadium. A exigência contratual da FIFA proíbe qualquer “publicidade, marketing, promoção, merchandising, licenciamento, sinalização ou outra identificação comercial” não aprovada pela entidade.
A única exceção parcial foi concedida ao Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta. Após 18 meses de negociações, a FIFA permitiu que o logotipo da Mercedes-Benz no teto retrátil oculus permanecesse visível, já que sua retirada poderia causar danos estruturais. Ainda assim, o estádio será oficialmente chamado de Atlanta Stadium durante o evento.
Diversos estádios americanos mantêm parcerias com plataformas de apostas que serão temporariamente suspensas. Entre os afetados estão o GEHA Field at Arrowhead Stadium (parceiro de BetMGM, DraftKings, FanDuel e Kansas Lottery), o Lincoln Financial Field (BetMGM, BetRivers, FanDuel) e o NRG Stadium (Caesars Entertainment). A posição digital do placar da FanDuel no Lincoln Financial Field facilita a retirada, mas a logística geral representa um desafio considerável.
Volume recorde de apostas e o papel do Brasil
Apesar das restrições de marca, analistas projetam que mais de US$ 35 bilhões serão apostados globalmente no torneio. Somente nos EUA, a expectativa é que o volume ao menos dobre os US$ 1,8 bilhão registrados na Copa de 2022. A Stats Perform foi nomeada provedora oficial de dados de apostas da FIFA, distribuindo dados ao vivo por meio de suas equipes RunningBall e Opta para operadoras licenciadas, um modelo que também cobrirá a Copa do Mundo Feminina de 2027, sediada no Brasil.
Para o mercado brasileiro, esta será a primeira Copa do Mundo no contexto da regulamentação das apostas esportivas, em vigor desde janeiro de 2025. Um estudo da Kantar revelou que 37% dos brasileiros planejam apostar no torneio, com preferência por mercados de resultado de partidas (51%) e número de gols. O Brasil é hoje o 5º maior mercado de apostas do mundo, com receitas projetadas de US$ 4,139 bilhões em 2025.
Porém, o entusiasmo traz riscos. Estudos indicam que entre 41% e 51% do mercado brasileiro de apostas ainda opera ilegalmente, e 78% dos apostadores relatam dificuldade em distinguir sites legais de ilegais. O impacto fiscal do mercado ilegal pode chegar a R$ 10,8 bilhões por ano, levantando preocupações de que a Copa possa direcionar apostadores para plataformas não licenciadas.
Lacuna no patrocínio oficial de apostas
A Betano (Kaizen Gaming) foi a primeira operadora de apostas esportivas a firmar uma parceria com a FIFA para a Copa do Mundo, atuando como patrocinadora regional europeia na Copa de 2022 e como parceira oficial de apostas na Copa do Mundo de Clubes 2025. No entanto, a Betano não opera nos EUA, e nenhum patrocinador oficial de apostas foi anunciado para o torneio de 2026, uma lacuna significativa considerando o potencial comercial do evento.
Enquanto isso, reguladores ao redor do mundo se preparam para o impacto. A ANJ (Autorité Nationale des Jeux, regulador francês) alertou operadoras sobre gastos promocionais excessivos, registrando aumentos de 25% em investimentos promocionais e 28% em marketing em relação a 2025. O México também analisa legislação para restringir publicidade de apostas durante transmissões esportivas e em mídias acessíveis a menores.
A política de “local limpo” da FIFA reforça o protecionismo comercial da entidade, mas não impedirá que a Copa de 2026 se torne o maior evento de apostas esportivas da história. Para os apostadores brasileiros, o torneio marca um momento inédito, a primeira Copa com um mercado regulado, tornando essencial a escolha de plataformas devidamente licenciadas.