Um em cada dez brasileiros já fez pelo menos uma aposta em plataformas de apostas esportivas legalizadas no primeiro ano completo de funcionamento do mercado regulado, segundo levantamento divulgado pelo site Igaming Brazil. O dado, calculado a partir de registros oficiais da Secretaria de Prêmios e Apostas, mostra que cerca de 25 milhões de CPFs únicos já passaram pelo ambiente regulado de bets, consolidando o Brasil como um dos mercados de apostas digitais mais intensos do mundo logo no ciclo inicial da nova legislação.
Quem são os 10% de brasileiros que apostaram em 2025
Segundo o estudo, em 2025 mais de 25 milhões de CPFs únicos realizaram alguma aposta em casas de apostas licenciadas, o que, em proporção demográfica, equivale a aproximadamente um em cada dez brasileiros inseridos no ecossistema regulado. A pesquisa usa dados da Secretaria de Prêmios e Apostas combinados com informações de plataformas autorizadas, o que reforça o caráter nacional do recorte e não apenas de uma amostra de segmento ou de estado.
Nesse universo de 25 milhões de apostadores, cada pessoa gerou, em média, cerca de R$ 1.431 de receita bruta (GGR) para as operadoras ao longo do ano, um indicador que mostra não só escala, mas também nível de engajamento. Para o mercado, isso significa que a migração de apostas de sites paralelos para plataformas autorizadas não foi apenas nominal, mas rendeu volume sustentável de receita em pouco tempo.
Além disso, o Painel das Bets, baseado em dados de acesso, estima que as plataformas legais registraram mais de 26 bilhões de acessos entre sites e apps em 2025, contra 7 bilhões em 2024, um salto de 275% em apenas um ano. Esse aumento acompanha a consolidação das licenças, maior presença publicitária autorizada e maior confiança do usuário na forma como o setor passou a operar.
Fidelidade, múltiplas contas e comportamento de uso
A pesquisa também revela um comportamento que já se tornou padrão em mercados maduros: os apostadores tendem a manter mais de uma conta ativa. Ao longo de 2025, foram registradas mais de 100 milhões de contas ativas em marcas de apostas, distribuídas entre os 25 milhões de CPFs únicos, o que indica que, em média, cada apostador tem quase quatro cadastros separados.
Na prática, isso significa que, mesmo consolidando uma casa “principal”, muitos jogadores circulam por diferentes plataformas, capturando bônus, odds melhores e campanhas específicas. Esse fenômeno ajuda a explicar parte da alta recorrência de uso e a forma como o volume de acessos saltou no ano, com o usuário repetindo ações dentro e entre apps licenciados.
O que isso mostra sobre o mercado e o jogador brasileiro
Para o mercado regulado, a entrada de 25 milhões de brasileiros em um ano é um indicador de amadurecimento acelerado. O Brasil deixa de ser um país “em transição” para o online e passa a ser um player relevante em escala global, com empresas investindo em tecnologia, marketing e parcerias esportivas para reter esse volume de usuários.
Para o jogador médio, o dado confirma que apostar em plataformas legais já deixou de ser um comportamento de nicho. Estar entre 10% da população que já apostou não é mais algo raro, mas isso também aumenta a responsabilidade individual de controlar quanto se gasta, em quais condições e com que frequência.
Como isso afeta os jogadores?
Do ponto de vista do usuário, a dinâmica de acesso cada vez mais fácil e campanhas agressivas exigem atenção redobrada ao orçamento. Enquanto o mercado regulado oferece mais segurança, transparência e ferramentas de autocontrole, a combinação de múltiplas contas, bônus rápidos e jogadas contínuas pode inflar o gasto sem que o jogador perceba.
Além disso, levantamentos de órgãos de defesa do consumidor já apontam que quase quatro em cada dez apostadores se endividaram após começar a usar sites de bets, o que reforça a necessidade de limites claros e de uso consistente de ferramentas como autoexclusão e bloqueio de depósitos. O fato de um em cada dez brasileiros já ter apostado amplia a importância de políticas de jogo responsável, tanto no plano de operadoras quanto no de educação pública.
O que isso significa para você, como apostador?
Se você está entre os 10% de brasileiros que já apostou, vale pausar para refletir se suas apostas são complementares ao seu orçamento ou se começam a pressionar outras áreas da sua vida. Definir um teto mensal, evitar usar crédito e acompanhar quanto, de fato, você recarrega em cada plataforma ajuda a se manter no perfil de quem aproveita o entretenimento sem passar da conta.
Por outro lado, para quem ainda não apostou, mas está se aproximando do setor por influência de publicidade, clubes de futebol ou influenciadores, esses dados mostram que o mercado amadurece rápido, mas também traz riscos reais de hábito e dívida. A decisão de apostar deve ser consciente, com espaço financeiro próprio, sem comprometer educação, saúde ou necessidades básicas.