Artistas lançam ‘Block no Tigrinho’ e pedem fim das apostas online
O vídeo da campanha foi produzido para conscientizar o público sobre o que os artistas descrevem como apostas predatórias, direcionadas especialmente a populações vulneráveis.
O Tigrinho tornou-se símbolo desse debate no Brasil após ser promovido agressivamente por influenciadores digitais para jovens de baixa renda, muitos deles dependentes do programa Bolsa Família, cujos beneficiários chegaram a gastar estimados R$3 bilhões em apostas em um único mês, segundo dados do Banco Central.
A iniciativa coincide com o crescimento de uma agenda política anti-apostas. O presidente Lula declarou em março de 2026 que os cassinos online não podem continuar operando no formato atual, e adotou o slogan ‘BBB’, banqueiros, bilionários e bets, como bandeira eleitoral para outubro de 2026.
O projeto de lei PL-1808/2026, apoiado por 68 membros do partido, propõe o banimento completo das apostas online, incluindo patrocínios, publicidade e transações financeiras relacionadas.
IBJR rebate campanha e defende distinção entre mercado legal e ilegal
O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) respondeu à campanha afirmando que o vídeo contém informações falsas e não diferencia operadores licenciados de plataformas clandestinas. Para o instituto, as apostas predatórias ocorrem no mercado ilegal, que opera sem regulação, fiscalização ou proteção ao consumidor, e é nesse segmento que os esforços de combate deveriam se concentrar.
O argumento tem peso econômico: o mercado regulado gerou R$37 bilhões em receita bruta e mais de R$10,7 bilhões em arrecadação tributária no primeiro ano de operação, além de 15.500 empregos diretos e indiretos. Ainda assim, operadores ilegais respondem por cerca de 51% de toda a atividade de apostas no país, movimentando aproximadamente R$40 bilhões anuais fora do alcance do fisco.
Tigrinho, Bolsa Família e projetos de lei: o contexto por trás da mobilização
A campanha ‘Block no Tigrinho’ emerge de um histórico de escândalos envolvendo influenciadores.
A Polícia Civil deflagrou operação contra 15 influenciadores acusados de promover plataformas de cassino online ilegais com o Tigrinho, e a influenciadora Tainá Sousa foi presa devido a uma investigação em andamento sobre promoção de jogos ilegais e lavagem de dinheiro. Raquel Brito, outra influenciadora associada à promoção do Fortune Tiger, prestou depoimento ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) sobre campanhas publicitárias enganosas voltadas a comunidades de baixa renda.
O Banco Central reforçou o cerco ao mercado ilegal com a Resolução BCB nº 569/2026, que amplia o compartilhamento de informações entre instituições financeiras sobre operadores não autorizados, com prazo de implementação até outubro de 2026.