Mais da metade dos apostadores brasileiros coloca no bolso, por mês, no máximo R$ 50 para apostar em sites e aplicativos de apostas online. O dado, obtido pela Pay4Fun via Lei de Acesso à Informação junto ao governo federal, reforça a ideia de que o mercado brasileiro é dominado por jogadores de baixo tíquete, mas evidencia também um núcleo relevante de alto gasto que exige atenção de reguladores e operadores.
Como é distribuído o gasto mensal com apostas
De acordo com o levantamento, 57,5% dos apostadores estão na faixa de até R$ 50 mensais, o que corresponde a cerca de 7,8 milhões de pessoas. Em seguida, 11,8% declaram gastar entre R$50,01 e R$150 por mês, enquanto 6,6% destinam de R$150,01 a R$300 às bets.
Acima dessa faixa intermediária, aproximadamente 23,98% dos apostadores se distribuem em categorias que vão de mais de R$300,01 até valores superiores a R$1.000 mensais. Ou seja: embora a maioria se mantenha em um patamar de consumo considerado baixo, quase um quarto do público concentra tickets mais altos e potencialmente mais sensíveis a perdas e endividamento.
Para Leonardo Baptista, CEO e cofundador da Pay4Fun, os números ajudam a recolocar o debate sobre apostas em bases mais concretas, especialmente após o início da regulamentação federal do mercado. Segundo ele, o perfil de baixo gasto predominante reforça o caráter de entretenimento para a maior parte dos usuários, ao mesmo tempo em que exige regras robustas de jogo responsável.
Quem é o apostador típico no Brasil hoje
O estudo também traça um retrato demográfico do apostador brasileiro. Homens representam 68,2% do total, enquanto as mulheres respondem por 31,8%, confirmando a predominância masculina, mas com participação feminina já próxima de um terço do mercado.
Na idade, a maior concentração está entre 31 e 40 anos, faixa que reúne 28,63% dos usuários. Logo atrás aparecem os grupos de 25 a 30 anos (22,21%) e até 24 anos (22,06%), indicando que mais de 70% do público está abaixo dos 40 anos. Já entre 41 e 50 anos, os apostadores somam 17,20%, com participação decrescente nas faixas seguintes: 51 a 60 anos (7,02%), 61 a 70 anos (2,17%) e acima de 70 anos (0,60%).
Para Camila Caresi, CCO da Pay4Fun, esse desenho etário não serve apenas para marketing, mas também como ferramenta de monitoramento de riscos e possíveis fraudes. Um volume desproporcional de idosos, por exemplo, pode indicar uso indevido de dados de terceiros ou práticas abusivas, uma vez que esse grupo representa fatia muito pequena do universo de apostadores.
O que esses dados significam para os jogadores
Do ponto de vista do jogador, o recorte mostra que apostar pouco e de forma esporádica é o padrão da maior parte do mercado. Estar na faixa de até R$50 mensais geralmente aproxima as bets de outros gastos de lazer, como streaming ou jogos casuais, desde que não haja comprometimento de contas básicas.
Por outro lado, quem se enxerga nas faixas acima de R$300 por mês já faz parte de um grupo que consome apostas em volume mais sensível ao orçamento. Nesses casos, o risco de transformar entretenimento em fonte de estresse financeiro cresce, principalmente em cenários de renda apertada ou uso de crédito para continuar jogando.
O estudo também reforça a importância de acompanhar a própria trajetória dentro das plataformas. A combinação de bônus, depósitos instantâneos e jogadas rápidas tende a mascarar o gasto real do mês, o que torna ainda mais relevante o uso de limites de depósito, alertas de tempo de jogo e, quando necessário, ferramentas de autoexclusão.
Como isso impacta você, na prática?
Se você está entre os 57,5% que gastam até R$50 por mês, vale encarar esse valor como um teto e revisá‑lo se a renda apertar ou se as apostas começarem a competir com outras prioridades. Se o seu gasto mensal já se aproxima das faixas mais altas, é um bom momento para reavaliar se o jogo ainda é entretenimento ou se passou a ser uma fonte de pressão financeira.
Na prática, isso significa definir um orçamento fixo para apostas, nunca usar recursos destinados a moradia, alimentação ou contas essenciais e acompanhar com regularidade o extrato de depósitos nas plataformas. Em um mercado regulado que começa a se apoiar em dados oficiais para desenhar suas regras, o passo mais importante continua sendo individual: saber quanto você pode perder sem comprometer sua vida fora da tela.